sábado, 2 de maio de 2009

Eu e joão

E ele batia... e batia.

Ela acusava... e acusava.

Eu que era o culpado... de tudo era culpado.

Triste de joão.

Coitada de dona maria.

A pequena flor estava tão murchinha.

Era engraçado ver duas crianças brincando.

Olha! O que é aquilo, duas crianças brigando?

Não... roubando – matando - estuprando e quebrando todos os laços de amizade.

Olha, um adulto levando seu filho.

Seu filho o levava para sepultura.

Olha - a mãe - matou o filho.

A filha mata a mãe.

A cor de uma bandeira alegre.

A cor de uma bandeira preta e cheia de preconceitos.

Olha que coisa, veja só ninguém pode me esmagar.

Pois agora é esmagado.

Se pisado amassado.

Olha o peso de uma terra.

Que coisa feia.

Feio seria dizer: ele me batia.

E ela acusava, e com alguma coisa me espetava, falando: _vai seu negro sem alma trabalhar.

O que fiz de errado, eu me perguntava. Por que sempre eu era o culpado?

Naquele dia meu amigo perdeu o pai, ficou sozinho, sem alegria. Sua mãe chorava, pois não sabia o que fazer, só tinha agora joão. Para você ver, nem tudo é fácil, mas tudo é dificil. Coitada de dona maria.

Naquele caixão a pequena flor tão murchinha, quem não estaria em uma desgraça de um dia, um de dia-a-dia.

Eu e ele, ele e eu, brincamos.

Era amigo dele, o que ele fazia eu fazia também

Brincamos - brincamos

Roubamos - roubamos

Matamos matamos

Estupramos - estupramos

e brigamos, paramos de ser amigos.

No meio daquela confusão joão.

joão pega o oitão, e, em mim atirou, olha em quem pegou.

O menino com o pai caido no chão aos sete anos teve que carregar um caixão

Sem o pai ele chorava, a mãe gritava e colocava o filho para trabalhar, com oito anos teve que crescer, pois sua infância tinha que morrer. Quem matou, a mãe? Sim, foi ela.

Mesmo fazendo tudo pelo filho, ele se revolta. Ela se mata, matava a mãe de desgosto que filha ingrata.

Felicidade e alegria, esperança de um dia, prazer em ter riqueza para não perde. Ajuntando tudo o que vai dar? Uma cor bonita para contar.

Se nada disso tem, sobra tristeza para alguém, pra quem?

Tristeza e desânimo, aonde estava o ânimo? O que isso dar? Um vazio sem algo para contar.

Agora eu posso tudo, ninguém me humilha mais . O que tem ai rapaz? Uma coisa que conquistei! Me dá isso, pois agora é meu, vou sair dizendo por ai "olha o que ganhei". Não posso senhor é presente de meu avô. Que me importa me dá essa bosta.

Que coisa feia ela me dizia, "isso não se faz pois quem te espeta é satanás". Ai, ai, ai.

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