quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Hoje eu Chorei

Esses dois últimos meses andei postando algumas coisas no meu facebook: frases de desânimo, fotos com bebidas, e insatisfação pessoal. Em 2013 muitas coisas boas aconteceram, conheci pessoas maravilhosas, entre elas criei um vínculo de amizade e de companheirismo. Por outro lado, também desfiz muitas amizades, relacionamentos de anos, quando percebi que nenhum daqueles que me afastei eram amigos de verdade. Tornei-me critico, estudando um pouco de hermenêutica, aprendendo exegese, sistemática e história da igreja. Comecei a olhar um pouco mais para os compêndios das margens teológicas. Fui cativado pela Teologia da Libertação, Missão integral e pelo sistema da Caridade e do perdão. Mas também fui frustrado pela teologia da prosperidade, pelo falso moralismo da teologia da miséria e os amuletos gospeis. Fiquei confuso quando conversei com um colega influente no meio da cristandade, quando disse: “É necessário uma reforma dentro da reforma”. Fui pego de surpresa quando ele utilizou o nome “Sistema”, relatando que havia um sistema por trás de muita coisa e que eu deveria ficar era quieto e não sair espalhando isso. Sim, ele tinha razão o melhor foi ficar quieto até agora! 2013 foi o ano que pude aproveitar o máximo de tempo para conhecer em alguns detalhes a mulher com quem vou me casar, fiquei triste, pois um dia pensei em casar com outra, mas fui encorajado a continuar, pois ela substituiu e completou todo vazio emocional que havia em mim. Se eu fosse falar coisa por coisa, 2013 seria um livro. Diferente de 2012, em 2013 eu não fui chamado de ladrão, não fui expulso da minha igreja, a não ser de uma igreja do interior quando disse para o Pastor que o que ele fazia era errado com os membros, que a forma de ele matar as ovelhas dele não o caracterizava pastor, mas sim lobo. Fiquei triste, por falar isso, pois nem diácono eu era, apenas um seminarista. Dias depois eu sou chamado por esse pastor, ele me pede perdão e diz que tudo que eu falei estava certo, ainda me pediu para que eu ajudasse novamente. Fui surpreendido nas horas mais difíceis, às vezes não tinha um dinheiro no Bolso pra comprar uma pasta de dente e o Eterno sempre me surpreendeu com suas provisões. Por outro lado fui esquecido por aqueles que disseram que me ajudariam, no período de um ano, foi raro receber uma visita do meu pai e uma ligação daqueles que disseram serem amigos. Nessas horas percebi a força de uma mulher companheira que me incentivava a nunca desistir. Estudei bastante, comecei a fazer duas faculdades, cerca de 12 horas de estudos por dia, fora os serviços braçais, esses foram os melhores momentos, pois trataram meu caráter. Conseguir uma bolsa 100% em troca de suor e trabalho. Entrei em depressão, batalha espiritual, uma angustia diária, a vontade que eu tinha era tirar a minha vida. Nunca falei isso pra ninguém a não ser para um amigo, esse deu risadas, mas todos os dias eu pensava em suicídio, sim. Mas as mãos do Eterno sempre estiveram me guiando e me protegendo. Como disse há dois meses eu estava me desviando, já não ia à igreja, ninguém percebia, eu estava desanimado, tanta ingratidão. E parece que eu ia me afundando cada vez mais, eu não conseguia ler a Bíblia, orar, tão menos ir à igreja. Comecei a beber, a fumar, sair e quase terminava o meu relacionamento. Não sentia vontade de nada, não recebi uma mensagem, uma visita, uma ligação, ao contrário só recebia ingratidão, longe daquilo que um dia não plantei, foi o que eu colhi. Mas isso foi motivo para poder rir e ver que alguns espinhos não tiraram a beleza que havia na rosa que a vida me concedeu. Eu fiquei com vontade de abrir a boca e falar de varias coisas que sabia, mas toda vez que eu pensava em falar algo uma voz me dizia: “Silêncio”. Foi assim que fiquei. Quando eu descobri o que significava graça eu fiquei enojado, com o mercado da fé, algumas variáveis daquilo que posso fazer alusão a ser um “show da fé”. Uma barganha, um sincretismo pagão, um capitalismo disfarçado e tão aberto naquilo que poderia revelar em “Ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber. Cansei por um lado, desanimado por outro, sem saber o que queria, me afastava, me afastava de mim. Fiquei chocado pelo alto grau de separações, adultérios, pedofilias, fornicações, homossexualidade, desvios de dinheiro, arrecadações de votos para partidos políticos, favorecimento familiar, financiado pelo show da fé. Tudo isso acontecia às escondidas, mas tão nítidas que no sussurrar das paredes todos sabiam, mas faziam de conta que nada sabiam. Fiquei triste pelas opiniões formadas, pessoas incentivadas por um play boy que na verdade mal sabia o que era viver a não ser o mundinho de um milagre. Nada além mais, conheço um milagre, pessoas que sobreviveram quando já não havia mais jeito para sobreviver, milagre foi quando percebi que eu não estava no controle para tomar decisões, milagre foi ver o Eterno ser bom para comigo e você. Senti-me triste ao ver um púlpito monarca, um sistema religioso ditador, uma ideia utópica, uma religião de mortos vivos, espíritos secos, e corpos famintos pelo pecado. Opressão que faz o monstro querer sair de dentro de você. Eu fiquei triste. Nada do que citei me fez chorar, apenas estou resumindo, apenas estou resumindo, há muitas coisas que gostaria de dizer. Hoje aqui no Rio de janeiro eu chorei dentro do ônibus. Chorei pela Alessandra e pelo Douglas. Você sabe quem são eles? Aposto que não, porque eu também não sei! Eles falavam sobre sexo, dinheiro e ostentação. Mal os entendia, difícil entender o palavreado carioca, mas uma coisa eu entendi, quando geral dentro do ônibus começou a falar mal de igreja, ao dizer que pastor é tudo ladrão, a imitar o Edir Macedo, a zoar com a Bíblia; eu comecei a chorar quando um deles disse que foi evangélico, eu chorei quando algumas crianças entravam no ônibus e falavam de sexo, eu chorei quando comecei a ouvir crianças zoando e já não davam mais créditos a pastores, e o pior é que eu concordava em pensamento com tudo que elas falavam. Eu chorava quando o Douglas e Alessandra diziam que um dia gostariam de voltar para igreja, mas não conseguiam, pois não viam nenhuma diferença entre o mundo e aquilo que deveria ser chamado de corpo de Cristo. São nessas horas que vejo a ideia Liberal, em que muitos veem a bíblia como valor histórico, são nessas horas que ao ver pessoas mortas dentro da igreja, consigo enxergar um cristo que nunca ressuscitou, um código de Da Vinci que revela o Cristo saindo com Madalena, fugindo para bem longe, se escondendo, assim como pastores fazem, a igreja que se torna uma prostituta, que há muito tempo não é mais igreja. Meus olhos encheram de lágrimas, meu coração ardeu, e uma voz sussurrou nos meus ouvidos dizendo: ”É por isso, e são por esses, que você não pode parar”. Eu dizia: eu sou mais um, não sou filho de Pastor, não falo bem, e estou desviado... Era o ponto final de Madureira, todos tiveram que descer, ao olhar para os lados eu não sabia o que fazer, quando aquela voz me dizia: “Ore por eles”. Fiquei triste, confuso, não podia, um desviado orar por alguém. Eu corri atrás do Douglas e da Alessandra, e perguntei se podia orar por eles. Eu orei por eles, e no final eu ouvia a Alessandra dizer: Deus cumpra em mim suas promessas, me aceite novamente. Hoje eu chorei, porque eu pude ver que as mãos do Eterno não saíram de perto de mim em nenhum momento, e que mesmo passando por tantas coisas eu percebo “que aquilo que não me matou me fortaleceu”, pode até ser uma frase de um ateu, mas estou convicto que o Eterno está além dos nossos limites, além daquilo que o imaginamos, o eterno me fez um convite hoje, e o convite foi: Corra para os meus braços, eles estão abertos para ti, eu decido seu 2014, e sua história Filipe de Freitas Serafim não tem fim, escreva para aqueles que estão com você e diga, que há uma nova geração, com uma voz de reforma.

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