sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

um grito

Venho através de este apelar para que vossas senhorias leiam e tragam para si tal reflexão.

Desde já vos quero dizer que sou mais um brasileiro, me identifico pelo número de 44.960.299-0.
Antes de, mas nada vos declaro que sou um nordestino, nascido em Recife- PE
Desde pequeno convivi com a necessidade de procurar novos caminhos, novos rumos, novos lugares para poder nos sobre sair de situação precária, aprendi o que é passar fome, comer manga verde tirada do pé do vizinho, pois em casa não tinha arroz ou feijão, aprendi que há outros lugares para se procurar comida, abrigo, saúde, educação e lazer, aprendi a me deslocar de regiões, procurando em cidades e cidades benefícios, procurando descanso.
Mesmo antes de completar meus 10 anos de idade já havia morado em alguns lugares, que não pensava morar. Saindo da minha terra, da minha casa e do meu lar, lá se vai um homem uma mulher e seus 3 filhos em busca de condições melhores, apenas um trabalho é o necessário, apenas um salário maior, apenas uma oportunidade, me vi com 3 anos de idade conhecendo o mundo, me vi ao 5 anos ver minha mãe ter depressão pós parto, pois o nervosismo era grande e a fome maior ainda que a levou a loucura.
Eu cresço e apareço para um mundo, aqui não estou, mas sim sou um brasileiro (uns brasileiros). Quero vos declarar que amo este lugar, mas do que a mim mesmo, e que no dia em que esta terra, este solo precisar de mim cá eu estarei, pronto para defendê-la, cuidá-la, estarei aqui voluntariamente, não porque alguém me pediu, mas porque tenho plena certeza que é brasileira e nasci aqui.
Esta vai ser uma história que vai acontecer que aconteceu e que todos os dias irão acontecer, e que exatamente agora está acontecendo, é a história de Joãos e Marias (homens e mulheres), historia esta de Filipes de Freitas serafim.
É realmente sou pobre, mas fico na esperança, nos sonhos de mudar de vida, antes de qualquer coisa procuro pergunta quanto custa um pacote de feijão? Quanto custa um pacote de fraudas, quanto custa um quilo de carne?
Gostaria de saber quanto custa a moral e a dignidade de um homem?
Pergunto a vossas senhorias se todos têm Rg (registro de identificação), registro este que lhe permite identificar quando necessário registro este que te livra das mãos de maus policias, que lhe possibilita a uma fatura de crédito, possibilitando a uma apresentação pessoal, sem este documento, este registro eu como muitos outros não poderíamos entrar em condôminos, entrevistas de empregos, fazer contas telefônicas, colocar água e luz em nossas casas, sem registro não existiríamos para alguns. Desde bem novo aprendi que ao tirar este registro pela primeira vez, não é cobrado nada, mas se por acaso, por acaso houver a situação de perda, roubo o furto é nos colocado uma taxa mínima de quase 28 reais para ser pago, 28 reais para alguns podem ser até motivo de risadas, mas para muitos é questão de necessidade, é questão de não ter, mesmo não tendo, graças a Deus que existe uma outra possibilidade de poder tirar a segunda via do registro novamente, mas para isso acontecer é necessário que o mesmo que perderá ou não tivera que o dinheiro para pagar o rg ele faça uma declaração, uma declaração essa que a chamamos de “declaração de pobreza”. Já não basta ter perdido o documento, o ter sido assaltado passar por outra situação, logo o cidadão ao chegar na recepção e pergunta como fazia para tirar a 2 via do rg e se deparado com situação ao qual ele não tinha nenhum real no bolso é constrangedor, pois para ir busca o rg ele foi de carona e mesmo assim havia passado de baixo da catraca, onde o chão estava sujo, pois foi pisado, o chão foi pisado e sua moral também, passando pó um dia que não houvera de ter comido, tomado café ou almoçado ainda tinha que abrir a carteira e mostrar para atendente que não havia nada em sua carteira, mesmo pensando que tudo já estava resolvido, pois iriá só assinar alguns papeis, não, ele não tinha fazer só isso, ele tem que assinar um papel notificando que ele é pobre e não tem condição de pagar o rg, mesmo pagando imposto todo os dias e anos, ele tem que pagar o registro de identificação, sua condição emocional é horrível, é abalada.
Mas mesmo acontecendo tudo isso ele levanta sua cabeça e segue enfrente, tem que trabalhar, mas até para varrer uma rua, suja e cuspida ele tem que ter escolaridade, algo que ele não tem, pois tinha que crescer e trabalhar, em casa tinha que ajudar, e só tem 3 ou quarta série do ensino fundamental.
Mas ele leva a vida, e a vida vai se acostumando com mais um ser humano.
Já não o basta ver comercias de TV laçando produtos e marcas a quais ele nunca poderá comprar, e somente fica na vontade de poder ter, quando o querer ter e não poder é uma tortura infernal, pois causa nele uma revolta geral?
Mas isto é pouco isto é mínimo perto do que acontece no dia-a-dia, no preconceito que muitas vezes são levantadas por benefícios.
Pouco peço, mas única coisa que peço é que me escute e não afastem de mim seus ouvidos, pois preciso concluir o que tenho que falar.
“Meu Deus, Deus meu, Deus que me ouve, que mesmo eu pecando tem compaixão de mim, Deus que sabe os meus problemas, por favor, me ajude e me tire desta situação, até quando tudo isso vai continuar? As coisas parecem não mudar, apenas tenha misericórdia de mim e de muitos. Pai nosso que está nos céus, santificado seja seu nome... ave Maria cheia de graça, bendita sejais vós entre as...”.
Orações rezas é a única coisa que quero é poder resgatar minha situação, minha dignidade.
Quantas vezes uma pessoa pode errar?
Quantas vezes uma pessoa pode errar?
Cometi uns de meus maiores erros e hoje sou sobre julgado mal sobre eles, tenho 18 anos de idade e quero contar minha história, pois sei que esta historia é a de muitos, muitos que no dia a dia passam pelas mesmas coisas que eu.
Era dezembro tinha 14 anos de idade ainda, conhecendo o mundo esperando crescer, me lembro como hoje, como fiz para tudo acontecer, minha vontade uma só, ser militar lembro-me que chorava, sonhava em querer ser piloto, fuzileiro, fazer parte das forças armadas queria fazer algo que meu pai se orgulhasse de mim, que eu fosse respeitado onde eu pudesse ganhar bem também. Freqüentava uma igrejinha pequena, pois sou protestante, na época era casa, escola e igreja, não sabia o que era fumar, não sabia o que era beber, não sabia o que era a vida, a vida errada, um convite foi me feito lembro-me quando uns de meus amigos me disseram: “_ Filipe vamos a igreja hoje?”.
Disse vamos, com tanta clareza, pois tinha sede de adorar, de poder contemplar, um homem chamado Jesus, um revolucionário, psicólogo, pai, filho, mas acima de tudo que até hoje no meu coração está escrito “DEUS”. Decidir ir com eles, perguntei para onde iríamos, lembro-me que eles falaram que nós iríamos de táxi, éramos em 4, formos para igreja, logo pensando que o termino seria em um lugar de paz me deparei com uma situação em que eu me encontrava atrás do veículo e meus companheiros dizendo para o motorista: “_é um assalto!”.
Meu Deus eu disse, o que era aquilo, onde eu estava o que estava acontecendo, para ser bem sério, mal saiba que aquilo era um roubo e que eu estava há um minuto para descobrir que no mundo existem horrores, e que muitas vezes pessoas inocentes pagam sendo culpadas por serem tão ingênuas. Culpo-me dos atos que não cometi, culpo-me, pois errei, não sabia quem era as pessoas que eu andava, não sabia quem era as pessoas que estavam ao meu lado, apenas eu sabia que naquele momento queria está na minha cama, coberto com meu cobertor trancado dentro do quarto.
Eu dizia para aqueles companheiros, me tirem daqui, deixe-me descer, novamente eles me diziam: “cala a boca Filipe, fique na sua”.
Com o medo de ser preso, com o medo maior de o carro bater, com medo maior ainda de morrer lá estava eu, orando para que tudo acontecesse de bom. E aconteceu graças que apareceu uma viatura, e rendeu o carro, antes de todos nós descemos lembro-me que os dois maiores disseram-me: você vai segurar tudo, fala que foi você que agarrou a vitima, pois eles vão nos mandar embora rapidinho. Espero que todos vocês acreditem que eu neguei ter participado, mesmo estando envolvido, agora vos pergunto, e se fosse você no meu lugar, se fosse seu filho parente ou irmão? Como você estaria?
Hoje ando desconfiando de tudo sem saber em que acreditar, mas antes de qualquer coisa quero dizer que não compartilhei com aqueles homens e mesmo assim fui julgado, colocado na mesa como culpado acusado de algo que não tivera cometido, tantas lagrima saíram de meu rosto naquele lugar, quantas lagrimas derramei, até pensei que Deus não existia, mas vi que o que não existia era coerência do homem. Fui preso, colocado em uma sala de menores, onde muitos deles queriam abusar de mim, sinto me envergonhado, pois muitos queriam fazer de mim algo que não era de minha natureza até então, sinto-me arrependido em ter entrado naquele carro e dito vou à igreja. Passaram-se 11 dias e eu fui solto, mesmo tendo passado natal em um lugar que não ficava acordado até as 01:00 da manhã.
Mas ainda bem que sai, mas mesmo assim tive que pagar ainda mais tive que prestar serviço à comunidade todos os dias sem ter direito a uma passagem de ônibus, tive que prestar liberdade assistida mesmo estando na rua.
Sem faltas, cumprindo minhas obrigações, preenchendo os horários eu lá estava limpando privada, varrendo chão, cuidando de criança e até ensinando a crianças desenhar.
Fora que eu pagava por todas as conduções, mas não esperava o dia de tudo aquilo mudar e eu poder ser livre, pois foi isso que me garantirão.
Hoje tenho 18 anos e fui convocado me apresentar no centro de seleção na rua: Raimundo pereira Magalhães n° 147 CS/02, serviço voluntários a pátria, primeiro fomos ao dentista eu e outros rapazes, o meu número era o 16, abrindo minha boca e vendo que não tinha nada de errado, fui mandado para fazer exame médico, verificaram a batida do meu coração, verificaram meu peso, altura e busto.
Fazendo isso fomos para a prova de psicotécnico, fiz a prova de lógica e depois fui mandado parar fazer uma entrevista, a entrevista foi feita por uma oficial e a entrevista começou perguntando se eu queria Servi, disse que sim, perguntou se eu tinha filhos, perguntou se eu bebia, se eu sabia nadar, dirigir, se possuía carro, se morava em casa, se a casa era minha, se era casado ou solteiro, se tinha filhos até que me perguntou se pó acaso eu tinha passagem pela policia quando menor, disse que sim, pois omitir a verdade para autoridade era crime, com um olhar meio desviado e sem graça ela me olhou, logo menos que eu esperasse sentado com os outros garotos, logo alguém me chama, esperei sentado novamente até que me chegou o recibo em que eu havia sido dispensado, logo após isso quis saber o porquê de ter sido dispensado, qual era o motivo de tal situação apenas gostaria de saber se não havia passado no exame médico, teórico ou físico, nada disso, não selecionado fui, pois eu tinha passagem Pela policia, pois havia sido preso, pedi para conversar com o tenente, o mesmo me disse que as forças armadas não admitiam pessoas com antecedentes criminas, logo disse que eu não tinha nada haver e que eu gostaria de servi, eles me disseram que seria impossível, pois eu tinha passagem.
Amigo lembre-se que quem poderia está aqui era você, e que eu que não tinha nada haver deveria está tão longe nesta hora, mesmo não tendo participado tive que responder por algo que aconteceu no passado.
E aí o que isso tem haver?
Tem haver que a moral de um homem foi jogada no chão arrastada e cuspida varias vezes.
Um dia eu vou ser pai, talvez eu tenha um filho um neto e um sobrinho eles irão me perguntar se servi, direi a eles que não, eles me perguntarão o porquê apenas direi:
Não servi meu filho porque o preconceito ainda existe onde não deveria existi...

Eu lhe pergunto até quando eu irei ser um ex-presidiário, pois foi assim que eles me viram?!

Exército Braço forte mão amiga?
Onde está a mão amiga?

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